Histórico

A primeira descrição sobre a anestesia ocorreu em 16 de outubro de 1.846, em Boston, Estados Unidos, após o odontologista William T. G. Morton utilizar o éter dietílico, considerado como único agente capaz de manter plano anestésico-cirúrgico sem depressão circulatória e respiratória, o que tornava possível sua administração por profissionais não médicos.

Na Europa a anestesia foi primeiramente relatada após o médico, Sir James Simpson, ter empregado na analgesia de parto da rainha Vitória o clorofórmio, agente potencialmente tóxico para o fígado e coração, responsável por alta morbidade e mortalidade, o que exigia muita perícia e conhecimento para a sobrevida do doente.
No Brasil, mesmo com a criação da Faculdade de Medicina, em 1.913, não havia reconhecimento da anestesia como especialidade, passando a ser objeto de ensino e pesquisa apenas à época da inauguração, em 1.931, do prédio que hoje abriga a Faculdade de Medicina que, desde 1.934, integra a Universidade de São Paulo.

Com o crescente progresso da medicina, em especial da cirurgia, o estudo dos anestésicos gerais e locais, as técnicas para aplicação e as complicações passaram a integrar a cadeira de Farmacologia.

Em 1.939, passou-se a ministrar aulas regulares de anestesia no curso curricular médico dos alunos da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – FMUSP, sendo a aplicação prática dos conhecimentos teóricos exercitadas pelos membros das diversas equipes cirúrgicas das cadeiras clínicas na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, hospital-escola da FMUSP até julho de 1.943. A implantação funcional do Hospital das Clínicas iniciou-se com sua inauguração em abril de 1.944.

Durante a 2ª guerra mundial a anestesia foi de grande valia para tratar os jovens feridos em combates, bem como as diversas enfermidades da população civil, de variadas idades. O corpo médico que serviu durante a guerra muito contribuiu para o desenvolvimento e aprimoramento da especialidade. Vale salientar a participação do médico cirurgião Dr. José Monteiro, que atuou nos campos de batalha juntamente com o anestesista americano Coronel Wood, e se transformou em exímio anestesista, contribuindo de forma valiosa para o ensino da anestesia nesta Instituição.

O Serviço de Anestesia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – HC-FMUSP, durante a década de cinqüenta, teve suas atividades estendidas para o prédio da então Clínica de Ortopedia e Traumatologia, atual Instituto de Ortopedia e Traumatologia – IOT, quando se destacou pela assistência ventilatória às vítimas da epidemia de poliomelite que assolou o país nessa época.

Na década de 70 o Serviço de Anestesia ampliou seu atendimento para o Centro Cirúrgico do Instituto da Criança e, em 1.977, ao Instituto do Coração – InCor. Pouco depois, o Serviço de Anestesia do InCor foi desvinculado do Serviço de Anestesia do HC-FMUSP por decreto regulamentar do Governo do Estado de São Paulo que, também, criou a Divisão de Anestesia.

Em reunião realizada em 06 de junho de 1.980, a Egrégia Congregação da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo criou a Disciplina de Anestesiologia, integrando-a ao Departamento de Clínica Médica até 1.984, quando foi transferida para o Departamento de Cirurgia. Teve como regente de 1.980 a 1.982 o Prof. Dr. Fernando Bueno Pereira Leitão. De 1.982 até 1.996 o Prof. Dr. Ruy Vaz Gomide do Amaral assumiu a Disciplina de Anestesiologia, inicialmente como regente, depois como Professor Associado e, em 1.986, após aprovação em concurso público, como Professor Titular. Em 1.996 foi aposentado compulsoriamente e o Prof. Dr. José Otávio Costa Auler Jr. assumiu como Professor responsável até ser aprovado em concurso para Professor Titular em junho de 1.997, tendo tomado posse em 13 de agosto de 1.997.